Câncer de Próstata e Prostatectomia Radical

Definição

A próstata é uma glândula que só o homem possui e que se localiza na parte baixa do abdômen. Ela é um órgão muito pequeno, tem a forma e o tamanho de uma noz e se situa logo abaixo da bexiga e à frente do reto. A próstata envolve a porção inicial da uretra, tubo pelo qual a urina armazenada na bexiga é eliminada. A próstata produz parte do sêmen, líquido espesso que contém os espermatozoides, liberado durante o ato sexual.

No Brasil, o câncer de próstata é o segundo mais comum entre os homens (atrás apenas do câncer de pele não-melanoma). Em valores absolutos, é o sexto tipo mais comum no mundo e o mais prevalente em homens, representando cerca de 10% do total de cânceres. Sua taxa de incidência é cerca de seis vezes maior nos países desenvolvidos em comparação aos países em desenvolvimento.

 

Mais do que qualquer outro tipo, é considerado um câncer da terceira idade, já que cerca de três quartos dos casos no mundo ocorrem a partir dos 65 anos. O aumento observado nas taxas de incidência no Brasil pode ser parcialmente justificado pela evolução dos métodos diagnósticos (exames), pela melhoria na qualidade dos sistemas de informação do país e pelo aumento na expectativa de vida.

 

Alguns desses tumores podem crescer de forma rápida, espalhando-se para outros órgãos e podendo levar à morte. A grande maioria, porém, cresce de forma bastante  lenta que não chega a dar sinais durante a vida e nem a ameaçar a saúde do homem.

 

Sintomas

 

Em sua fase inicial, o câncer da próstata tem evolução silenciosa. Muitos pacientes não apresentam nenhum sintoma ou, quando apresentam, são semelhantes aos do crescimento benigno da próstata (dificuldade de urinar, necessidade de urinar mais vezes durante o dia ou a noite). 

 

Na fase avançada, pode provocar dor óssea, sintomas urinários ou, quando mais grave, infecção generalizada ou insuficiência renal.

 

Diagnóstico

Achados no exame clínico (toque retal) combinados com o resultado da dosagem do antígeno prostático específico (PSA, na sigla em inglês) no sangue podem sugerir a existência da doença. Há uma grande controvérsia sobre a partir de qual idade deve-se recomendar os exames de rastreamento, mas esta decisão deve ser discutida com o seu médico. Em geral, este tipo de conversa deve se iniciar entre os 40-50, principalmente para quem tem parente próximo com o diagnóstico de câncer de próstata, homens negros ou obesos.

 

A Ressonância Magnética multiparamétrica (RMmp) tem assumido papel de destaque como estratégia complementar de rastreamento de tumores prostáticos, sendo capaz de evitar biópsias desnecessárias nos pacientes que apresentam baixa probabilidade de tumor ao exame (reduzindo custos, riscos e a ansiedade do paciente). Já nos casos em que a RMmp identifica lesões suspeitas, idealmente deve-se proceder à biópsia prostática com fusão de imagem, com resultados consideravelmente melhores que a biópsia padrão no diagnóstico de tumores mais agressivos. Biópsia com fusão de imagem é um método no qual as imagens da RMmp são sobrepostas as imagens da ultrassonografia durante a biópsia de forma a localizar as áreas suspeitas para tumor.​

 

​O diagnóstico de certeza do câncer é feito pelo estudo histopatológico do tecido obtido pela biópsia da próstata. O relatório anatomopatológico deve fornecer a graduação histológica do sistema de Gleason ou o método mais novo, ISUP, cujo objetivo é informar sobre a provável taxa de crescimento do tumor e sua tendência à disseminação, além de ajudar na determinação do melhor tratamento para o paciente.

 

Tratamento

Para doença localizada, cirurgia, radioterapia e até mesmo observação vigilante (em algumas situações especiais) podem ser oferecidos. Para doença localmente avançada, cirurgia ou radioterapia em combinação com tratamento hormonal têm sido utilizados. Para doença metastática (quando o tumor original já se espalhou para outras partes do corpo), o tratamento inicial é a terapia hormonal. Novos agentes hormonais e novas quimioterapias foram desenvolvidas nos últimos anos, assim como agentes modificadores de metástases ósseas.

 

A escolha do tratamento mais adequado deve ser individualizada e definida após discutir os riscos e benefícios do tratamento com o seu médico.

 

Prevenção

Uma dieta rica em frutas, verduras, legumes, grãos e cereais integrais, e com menos gordura, principalmente as de origem animal, ajuda a diminuir o risco de câncer, como também de outras doenças crônicas não-transmissíveis. Nesse sentido, outros hábitos saudáveis também são recomendados, como fazer, no mínimo, 30 minutos diários de atividade física, manter o peso adequado à altura, diminuir o consumo de álcool e não fumar.

 

A idade é um fator de risco importante para o câncer de próstata, uma vez que tanto a incidência como a mortalidade aumenta significativamente após os 50 anos.

 

Pai ou irmão com câncer de próstata antes dos 60 anos pode aumentar o risco de se ter a doença de 3 a 10 vezes comparado à população em geral, podendo refletir tanto fatores genéticos (hereditários) quanto hábitos alimentares ou estilo de vida de risco de algumas famílias. 

 

Prostatectomia Radical

 

A prostatectomia radical também pode ser conhecida como cirurgia radical da próstata ou prostatovesiculectomia radical, com ou sem linfadenectomia pélvica estendida.

 

A prostatectomia radical pode ser realizada por via aberta, laparoscópica ou assistida por robótica. As técnicas minimamente invasivas (laparoscópica e robótica) são formas mais modernas de se realizar a cirurgia. Esta consiste em remover a próstata e as vesículas seminais e, em seguida, anexar a uretra diretamente à bexiga. Também são ressecados os linfonodos pélvicos para avaliação da extensão da doença no pós-operatório.

Contrastando com a forma original da cirurgia aberta, a prostatectomia radical laparoscópica não faz uma grande incisão. Em vez disso, este procedimento cirúrgico é minimamente invasivo e conta com tecnologias modernas, como a fibra ótica, magnificação da imagem pela visão ampliada e diferentes formas de energia (bipolar inteligente ou ultrassônica) para realizar a cirurgia de forma precisa.

A prostatectomia radical é realizada sob anestesia geral (o paciente está dormindo) e leva aproximadamente três horas. Depois disso, a maioria dos pacientes passa 1 a 2 noites no hospital antes de voltar para casa. Homens operados terão um cateter (pequena sonda) passado através da uretra que irá permanecer no local durante aproximadamente uma semana. Devido à melhor visualização das estruturas nas técnicas laparoscópica e robótica, é realizada uma anastomose mais perfeita, com menor extravasamento de urina, permitindo a retirada mais precoce da sonda vesical. São várias as vantagens: menor índice de infecção, redução da dor pós-operatória e do sangramento, um menor período de hospitalização e um retorno mais rápido às atividades normais.

Outro importante fator na prostatectomia por neoplasia de próstata são os resultados funcionais. O primeiro aspecto relaciona-se à continência urinária (perda involuntária de urina). Felizmente a sua ocorrência gira em torno de 3 a 5% dos casos; porém, logo após a retirada da sonda é normal o paciente apresentar um grau de incontinência transitória que varia de 1 a 3 meses. Outro importante fator a ser analisado é a potência sexual. A chance de ocorrer esta complicação é muito variável, pois vários fatores estão envolvidos na preservação da ereção, como o tamanho e a agressividade do tumor, a idade do paciente, as co-morbidades que este paciente apresenta no pré-operatório (ex.: hipertensão, diabetes, cardiopatia), fatores psicológicos, além da experiência do cirurgião que irá realizar este procedimento. Atualmente, a maioria dos pacientes potentes no pré-operatório, sem comorbidades significativas e com tumores iniciais permanecem potentes após 6 meses a 1 ano da realização do procedimento.

Em certos homens, uma abordagem com preservação dos nervos pode ser utilizada. Os nervos que são poupados são os que suprem o tecido erétil no pênis. O objetivo é, em primeiro lugar curar o homem do câncer de próstata, mas também maximizar os resultados funcionais após o tratamento. A literatura médica especializada nos mostra que, com a preservação destes nervos, existe uma taxa muito mais elevada de ereções espontâneas após a cirurgia e que o retorno à função urinária normal também é melhor.